O Grupo Desportivo Comercial, pioneiro e baluarte do automobilismo de competição nos Açores, tem entre mãos e como objectivos mais próximos, dois importantes temas: a luta pela segunda realização entre nós duma prova de projecção mundial, o IRC- International Rally Challanger, cujo êxito na estreia foi por demais conhecido, e que se aguarda para o próximo mês de Julho, e em simultâneo o assinalar das Bodas de Ouro da primeira prova então realizada nesta Ilha, o “ Rally de Iniciação”, que teve lugar a 12 de Junho de 1960, sendo vencedora a equipa José Borges Soares Medeiros/Roberto Domingues Pacheco, tripulando um Peugeot 403. Seria esta prova a feliz culpada do automobilismo ter entrado no Comercial, nascido para ser mais um grupo onde o futebol era o principal objectivo, mas que por motivos e dificuldades várias, assim não aconteceu. O destino escreveu certo por linhas tortas. E convém recordar os mais antigos e informar os mais novos, que o Grupo Desportivo Comercial, tem como data oficial de fundação, o 30 de Maio de 1961, altura em que, perante a Comissão Instaladora formada pelos Dr. Carlos Rocha Silva Rebelo, Virgílio Augusto de Sousa, António Paulino de Medeiros e Artur Maria Tavares, tomaram posse os primeiros directores oficiais do Clube, eleitos em Assembleia-geral Ordinária a 29 de Abril do mesmo ano, e aprovada pelo Despacho do Diário do Governo nº 118-3ª Série de 18 de Maio de 1961, ficando a presidir respectivamente à oAssembleia-geral, Direcção e Conselho Fiscal, os Dr. Carlos Silva Rebelo, José de Freitas Alves Jnr. E Eng. Frederico Paulo Matias Tavares, todos já partidos desta vida.
Daqui se concluir que a oficialização do Grupo Desportivo Comercial, seja posterior à realização da prova de iniciação, e será bom também recordar como se deu esta feliz empatia. A vinda para S. Miguel do então ilustre Tenente da Armada , Filipe Mendes Quinto deu origem a que, pelo enorme gosto que mantinha pelo automobilismo, formasse um pequeno grupo de interessados, dos quais recordamos António Aguiar Machado, Albano Neto Viveiros, Dinis Faria e Maia, Leo Weitzenbaur, e Tenente da Armada Manuel Arsénio Pacheco Medeiros, que com muito entusiasmo e dedicação, juntaram 40 equipas , algumas delas integrando varias senhoras, sendo o resultado de tal forma surpreendente, que o secretário-geral do novel Clube, António Luís de Medeiros, convidaria aquele grupo de pioneiros, a lançarem a modalidade com o apoio do Comercial. Assim se começaria a escrever toda a história duma colectividade e duma modalidade, para a qual o futuro reservaria uma agradável surpresa de vir a atingir altos patamares a nível mundial. Começou por subir a pulso os diversos degraus da escada do sucesso, primeiro a nível regional, insular e nacional. Ganhou a dimensão de ser uma das melhores provas do país, e posteriormente recebeu o título de internacional. A fama da sua qualidade, a partir das excelentes performances técnicas e directivas, fizeram jus a que se chegasse aos dias de hoje, e passado quase meio século, tenha conseguido o apogeu duma caminhada, que estava longe dos horizontes a que se propuseram os seus fundadores.
Hoje como ontem, muitos foram os obstáculos colocados pelo caminho, quer no campo financeiro como no desportivo. De todos se saíram a contente a enorme legião de obreiros que passaram pelo Grupo Desportivo Comercial, e cada um na sua época, ajudou a levar a colectividade para o lugar que ocupa. Todos sabemos que os tempo já cada vez mais difíceis, e pode haver quem ache que há coisas mais importantes a atender, do que uma modalidade ainda hoje tida por alguns, como “brinquedo de meninos ricos”. A realidade é bem diferente, e basta ver que o impacto que o ultimo IRC teve e nível mundial, é o espelho da tal caminhada feita ao longo deste meio século. Como disse Victor Hugo, “vivem só os que lutam “.
E as várias gerações que passaram pelo Grupo Desportivo Comercial tiveram uma herança de vitória, que importa e é preciso continuar. Mesmo com alguns furos pelo caminho.
João de Brito Zeferino |