História

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Nas Bodas de Prata do Rally Internacional de São Miguel

A 18 de Julho de 1965 foi para as estradas floridas desta Ilha, a primeira edição da Volta, e com ela todo um projecto inesgotável de sonhos, arquitectados por quantos de alma e coração, deram corpo ao automobilismo de competição nesta terra do Arcanjo. Disse o Poeta que “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, e assim lutando desde bem cedo com inumeras dificuldades, algumas fruto desta insularidade que nos afoga mas que igualmente nos motiva , que os timoneiros de então, não recuaram perante o desafio, e animados dos mais nobres propósitos, não só de dar aos Açores em geral e a S. Miguel de forma particular o ensejo de terem mais uma modalidade em acção, mas também pensaram que o automobilismo poderia ser um forte veículo de promoção destas terras no meio do Atlântíco plantadas, então como hoje, já a lutarem por um lugar ao sol, procurando a sua identidade, querendo levar mais longe o nome dos Açores. Primeiro com um cunho tipicamente insular, abraçando no automobilismo os dois Arquipélagos; depois mais tarde por méritos próprios e direitos adquiridos, entrando para o Campeonato Nacional, trazendo até nós as vedetas da época, que logo se enamoraram da prova, e se tornaram nossos embaixadores nos quatro cantos de Portugal. E a Volta à Ilha de S. Miguel foi trepando a pulso, sempre lutando com os mais diversos contratempos, mas de ano para ano com ambição dos seus responsáveis, em a tornarem melhor, mais competitiva. E assim ganhou lugar de destaque no contexto do automobilismo nacional. Mas os sonhos não tem limites, a nossa Volta ganhou os galões de internacionalização a partir da 8ª edição, contando no ano seguinte com presenças de pilotos de nomeada a nivel mundial, tais como Sandro Munari, Alcide Paganeli e outros. Foi talvez uma internacionalização efémera, mas seria o abrir de ideias para um sonho a longo prazo, infelizmente até hoje por realizar. a entrada para o Campeonato Europeu de Automobilismo. Por duas vezes foi observada, por outras tantas chumbou, não por falta de qualidade desportiva, mas por todo um conjunto de circunstâncias complementares, mas igualmente de ter em conta.Alguns destes obstáculos de então, hoje poderão estar ultrapassados, com a indesmentível evolução que a Autonomia trouxe aos Açores, outros porém continuam bem vivos, a merecerem por parte de quem de direito, a rápida solução. Mas os Açorianos são persistentes, não desanimam. Por esta razão estamos há cinco séculos nestas Ilhas de bruma em luta permanente com os mais diversos maus génios da Natureza e as mais profundas incompreensões dos homens. Seguimos o velho provérbio chinês de “cair nove vezes, levantar dez”. E assim o sonho da Europa continua de pé, quem sabe se cada vez mais próximo, agora que a Europa também está cada vez mais próxima de nós. No horizonte dos responsáveis pelo Grupo Desportivo Comercial, mantem-se o sonho europeu. Nova observação poderá acontecer talvez já no próximo ano. Houve quem defendesse que poderia ter sido já este ano. Uma coisa estamos convictos, agora que se festejam as Bodas de Prata da Volta à: Ilha de S. Miguel. O sonho um dia vai tornar-se realidade. Não vão ser precisos mais vinte e cinco anos de espera. Assim o queiram quantos de quem muito depende a realização do sonho, que um dia nasceu de homens que lutaram e lutam pelo engrandecimento da sua Ilha, da sua Região, atravéz de uma modalidade desportiva, na circunstância o automobilismo. Parabéns Grupo Desportivo Comercial pelo teu RALLY INTERNACIONAL DE S. MIGUEL. Que a melhor prenda a colocar neste bolo de vinte e cinco velas em honra da tua Volta, seja a vontade dos vindouros, para serem dignos continuadores de um projecto que a tantos custou, sangue, suor e lágrimas.

Breve Historial de um grande clube “Vivem só os que lutam”

Colocado pelo Presidente do Grupo Desportivo Comercial, perante o desafio de escrever alguma coisa para este boletim comemorativo das Bodas de Prata da Volta à Ilha de S. Miguel em automóvel, interroguei-me sobre a minha capacidade e o pouco tempo disponível. Porém, algo mais forte se sobrepôs ao meu receio de não corresponder ao honroso convite: o facto de há cerca de trinta anos atráz, ter sido um dos que modestamente ajudou a criar este Clube, nascido na esquina da Rua Machado dos Santos, junto ao então salão de bilhares do Café Central. O facto de também, ter sido um dos primeiros colaboradores do boletim informativo que o Comercial durante algum tempo manteve. E foi ali que praticamente comecei a minha modesta colaboração na informação desportiva. Já vão quase trinta anos.
Não se trata da história do Clube ao longo destas três décadas, nem tão pouco de um trabalho de análise profunda e cronológica, como a efeméride agora a comemorar o justificaria. Faltou-me o tempo, que não a vontade. Será sim uma pequena resenha para situar os possiveis leitores numa caminhada que embora apenas com três décadas de percurso, está já tão enriquecida de êxitos, que fazem do Grupo Desportivo Comercial um dos mais conceituados do país, na área do automobilismo.
Evitarei ao máximo nomear pessoas, sob pena de, recordando uns, ser injusto para com outros que, involuntáriamente, ficariam no olvidio. Foram tantos que deram o melhor de si mesmos para que o Comercial chegasse onde chegou.
Talvez um dia, alguém com mais capacidade se debruce sobre a verdadeira história do Grupo Desportivo Comercial. Já existe um trabalho de grande mérito e profundo alcance, publicado num capitulo de uma compilação feita por António Aguiar Machado (Tony Aguiar), a que convencionou quase chamar “as suas memórias”. Um ponto de partida quem sabe, para um trabalho apurado e digno desta colectividade.
O meu objectivo para já, é bem mais modesto, e por certo não atingirá o propósito que animou Artur Tavares, com o seu honroso convite. Será apenas um modesto contributo, uma pedra para o edifício onde um dia se poderá instalar a verdadeira história de um grande Clube: o Grupo Desportivo Comercial. Uma história feita de lutas, de canseiras, de incompreensões. Desde a primeira hora, até aos dias de hoje. Mas como disse Victor Hugo “Vivem só os que lutam”.

A luta do Comercial começou há trinta anos. Vai continuar pelos tempos fora, muito poucos serão aqueles que sabem, que o Grupo Desportivo Comercial não nasceu com vocação automobilistica. Razões posteriores à sua fundação, vieram contribuir para que tal acontecesse. Hoje poderá dizer-se que “há males que vêm por bem”.
Nos finais da década de 50 início dos anos 60, Ponta Delgada tinha as suas cinco colectividades tradicionais, cuja modalidade principal, era o futebol. União Micaelense, União Sportiva, Santa Clara, Micaelense e Maritimo, eram por ordem de fundação, os aglutinadores das actividades desportivas, cada qual com a sua identidade muito própia. Assim, o U. Micaelense era a equipa dos estudantes; o U. Sportiva tinha nas suas fileiras atletas de várias camadas sociais, com tendência para os empregados comerciais; Santa Clara e Micaelense eram equipas onde predominava o operariado, e ao Maritimo como o próprio nome indica, se destinavam os atletas da camada piscatória ou seus directos sucessores. Eram estas as caracteristicas dos Clubes Tradicionais, onde havia sempre a excepção para confirmar a regra. Para além do futebol, que na altura era de muita razoável qualidade, havendo um notório equilibrio entre todos, o hoquei em patins ensaiava os seus primeiros sucessos, e as restantes modalidades tinham uma prática exporádica. Ora, uma vez que o futebol aglutinava as multidões, havia um excedente de valores, pois dada a sua qualidade muito aceitável e aos bons valores da época, muito dificilmente um atleta de craveira mediana, tinha acesso aos Clubes tradicionais, ou se o tinha, seria um eterno reservista.
Talvez um pouco pelos motivos apontados, tenha surgido um movimento de empregados do comércio, que procuraram fundar um novo clube destinado em exclusivo (ou quase) àquela classe, permitindo a possibilidade de prática desportiva, a um mais vasto leque de desportistas. Deste grupo, recordamos Roberto Nuno Freitas Alves e Ladislau Ferdinando de Sousa, como os primeiros movimentadores da ideia, aos quais depois se vêm juntar outros entusiastas como António Luis Medeiros, João Francisco Lima Ferreira, Duarte Cabral, etc.
Entre eles contava-se também o signatário deste despretensioso trabalho. E a ideia do novo Clube começou a tomar forma, em reuniões tidas no canto, da Rua António José Almeida e na sala de bilhares do então Café Central. A primitiva hipótese, era de filiar o Clube na então F.N.A.T, que em Ponta Delgada era representada pelo Delegado de Trabalho de então, Dr. Nuno de Bettencourt. Só que na realidade aquele organismo coorporativo, não tinha ainda uma actividade regular no campo desportivo, sendo dito aos membros da Comissão Instaladora, que tratassem de organizar o processo. Então surge outra hipótese, que seria filiar a nóvel colectividade na Associação de Futebol de Ponta Delgada. Aqui começou a grande odisseia.
Tenta-se elaborar um projecto de Estatutos, e dá-se o nome à Colectividade, que depois de discutido, fica em: GRUPO DESPORTIVO COMERCIAL. Mas a burocracia de então, emperra a aprovação dos Estatutos, o que numa primeira diligência leva a Lisboa o saudoso Padre Dinis da Luz, como mandatário do Comercial, a interceder junto do Ministro da Educação Nacional de então, Dr. Baltazar Rebelo de Sousa, que diz desconhecer o caso, pedindo para que o mesmo fosse tratado junto do Governo Civil de Ponta Delgada, cujo Secretário-Geral Dr. Branco Camacho, dá um empurrão no assunto. Sanado este problema, põe-se a questão de filiar o novo clube na Associação de Futebol de Ponta Delgada, começando outra peripécia, pois os clubes tradicionais de então, baseando-se em disposições estatutárias, não permitem que o Comercial ali se venha a filiar, exigindo que o clube apresentasse campo próprio, entre outras condições para aceitarem a filiação. Mas porque as disposições legais da entrada da filiação do Comercial tinham sido aceites pela Associação de então, (quase de olhos fechados), porque até mesmo alguns dos seus jogadores foram inscritos e tinham o respectivo cartão, a própria Associação ficaria entre a es-pada e a parede: de um lado tinha aceite a inscrição do novo filiado, do outro lado tinha a resistência dos clubes citadinos que se opunham à entrada de novo filiado.

O processo alongou-se, tornou-se moroso, teve mesmo que ser entregue ao fôro da justiça, tendo então o ilustre causídico Dr. José da Silva Fraga, ficado encarregue de organizar todo o processo. Entretanto a Associação de Futebol de Ponta Delgada, fazia o sorteio de provas, marcava a temporada, ignorando o Grupo Desportivo Comercial.
Tudo isto faz esfriar a parte futebolistica da colectividade, mas em contrapartida, faz renascer outras modalidades. E aqui num aparte, poderemos dizer que em “jeito de vingança”, o Comercial vai buscar atletas de outras modalidades aos clubes tradicionais. Forma uma equipa de hoquei em patins, que ganha um Campeonato de S. Miguel e uma Taça de Honra, no ténis de campo aglutina um grupo de praticantes, ganhando igualmente um Campeonato de S. Miguel, no basquetebol forma equipas masculinas e femininas, com estas também a conquistarem um titulo máximo na modalidade. O ténis de mesa, o voleibol, a pesca desportiva, também passam a ser actividades do Clube, e os intercâmbios com Santa Maria e Terceira (nesta Ilha com os norte-americanos da Base) começam a ser uma constante. Ao fim e ao cabo, o Grupo Desportivo Comercial, vira costas ao futebol, torna-se um Clube eclético, projecta-se num espaço muito próprio no Desporto Açoriano.
Outro problema era o da Sede Social, que graças à compreensão do Sindicato dos Empregados do Comércio, fica solucionado, com a cedência de um quarto nas instalações de então, na Rua Dr. Caetano de Andrade, onde permaneceu largos anos, até se mudar para a sua actual instalação. Em 1961, a 30 de Maio, perante a Comissão Instaladora, formada pelos, Dr. Carlos Rocha Silva Rebelo, Virgilio Augusto de Sousa, António Paulino Medeiros e Artur Tavares, tomam posse os primeiros directores oficiais do clube, eleitos em Assembleia Geral Ordinária de 29 de Abril do mesmo ano, e aprovados pelo Despacho do Diário do Governo n° 118-3ª Série de 18 de Maio de 1961. E em homenagem a estes percursores do Grupo Desportivo Comercial, aqui ficam registados os seus primeiros Corpos Gerentes: ASSEMBLEIA GERAL: Presidente, Dr. Carlos Rocha Silva Rebelo; Vice-Presidente, José Cristiano de Sousa Junior; Secretários: Artur Maria Tavares e Leonildo Soares Tavares da Ponte.
DIRECÇÃO: Presidente, José de Freitas Alves Junior; Vice-Presidente, Manuel Martins do Vale; 1° Secretário, António Paulino de Medeiros; 2° Secretário, Albano Manuel Neto de Viveiros; Tesoureiro, João Vieira Jerónimo; Vogais, Eduardo Amaral e Adroaldo Manuel Pacheco do Couto. CONSELHO FISCAL: Presidente, Eng. Frederico Paulo Matias Tavares; Vice-Presidente, José Fernandes Alves e Vogal, Humberto Sampaio e Silva. Para a Direcção substituta, foram eleitos: José Pereira Guedes, Virgilio Augusto de Sousa, José Jácome Correia, João Luís de Medeiros, José dos Santos Sousa Lopes, António Machado Junior, e João Carlos Rodrigues Carreiro.
Dois anos mais tarde, em 31 de Janeiro de 1963, funda-se “O COMERCIAL”, boletim informativo do Clube, que tinha como editor, José Cristiano de Sousa, sendo a sua tiragem de 500 exemplares, impresso nas Oficinas das Artes Gráficas, e distribuído gratuitamente. As côres do Clube foram desde sempre o azul e o vermelho, tendo o seu emblema ao canto superior direito, o brasão da Cidade de Ponta Delgada. Eis pois, e muito pela rama, os primeiros passos do Grupo Desportivo Comercial, mas que pensamos terá deixado uma pálida ideia de tempos recuados e de peripécias vividas, muitas desconhecidas dos mais novos, ou menos documentadas na vida deste clube.
Onde também a nível interno, alguns momentos de desacordo se viveram ao longo dos tempos, como a chamada “crise de 64″, em que duas correntes de opiniões diferentes e métodos distintos para a vida do clube, se confrontaram em Assembleia Geral muito participada e ardentemente vivida, acabando por resultar a demissão do elenco directivo, mas de pronto surgindo outro grupo de continuadores. Nem sempre é certo se respeitou o augustiniano principio de “combata-se as ideias, mas poupe-se os homens”, mas isto é comum nas colectividades desportivas. O certo é que o Comercial sobreviveu sempre.
Continua bem vivo. Perguntarão por certo aqueles que tiveram a paciência de lerem este resumido trabalho: onde está o automobilismo no meio de tudo isto?

Já lá vamos. Quase que nasceu com o Comercial, embora não tivesse nascido no Comercial. O ilustre oficial da armada, Filipe Mendes Quinto, então com a patente de tenente, que nesta ilha contraíra matrimónio, tornando-se assim “açoriano pelo casamento”, era um profundo amante do desporto automóvel. Este gosto foi transmitido a um grupo de pessoas aqui em S. Miguel, entre as quais recordamos António d’Aguíar Machado, Albano Neto de Viveiros. Este Grupo, a que posteriormente se juntaram Diniz Machado Faria e Maia, Leo Weitzembaur e o Ten. Manuel Arsenio Pacheco Medeiros viria a organizar a primeira prova, que se chamou «Rally de Iniciação», e que teve lugar a 12 de Junho de 1960. Esta prova que contou com a participação de 40 equipas, foi ganha pela dupla José Borges Soares Medeiros/Roberto Domingues Pacheco, em Peugeot 403. Era o arranque. Foi então que o Secretário do Grupo Desportivo Comercial, António Luis Medeiros dirigiu convite a este grupo, para integrar o Grupo Desportivo Comercial, e levar para a nóvel colectividade que tinha alcançado invulgar êxito no ano anterior. Em Agosto de 1962, começou a nova secção automobilistica do Comercial, a oficializar a sua existência junto do Automóvel Clube de Portugal, contando para o efeito com o inestimável apoio de Albano Oliveira e Dr. Paiva Raposo, respectivamente delegado em S. Miguel do A.C.P. e Secretário-Geral daquele organismo. Nos primeiros meses de 1963, estava tudo oficializado, e desde a primeira hora, com o apoio de Alfredo César Torres, o Comercial avançou com a modalidade e a 15/16 de Junho de 1963, arrancava o 1° Rally oficial em S. Miguel, então denominado «Raily da Primavera», que contou com a presença de 49 equipas, e foi ganho pela dupla Labieno Machado/Ricardo Cabral, em Ford Anglia. Esta prova teve como observador do A.C.P. o Dr. Pedro Domingos dos Santos, que o classificou de “Rally de 1ª categoria”, e a 18 de Julho de 1965, surge a “1ª Volta à Ilha de S. Miguel”, contando com 32 equipas (terminaram 28) e nesta prova já se notou a presença de concorrentes da Madeira e do então Consul dos Estados Unidos da América, Frederick Purdy. O vencedor foi o Eng. Luis Toste Rego, que fez equipa com o Dr. Jaime Gama, ao volante de um Fiat 1500, ficando na 28 posição a dupla madeirense, de que era piloto o malogrado Zeca Cunha, tendo como navegador António Pereira, num Triumph TR4. A prova foi assistida pelo Secretário-Geral do A.C.P. Dr. José Maria Paiva Raposo.
A partir de então, o Grupo Desportivo Comercial dedica-se de alma e coração quase exclusivamente ao automobilismo, e começa a elaborar os seus calendários com diversas provas anuais. Digno de registo, o “Desfile das D. Elviras” em 4 de Maio de 1969, onde desfilaram velhas relíquias do parque automóvel de S. Miguel, com a maior parte dos ocupantes a trajarem vestes da época dos veículos (os carros mais antigos foram os «Le Zebre» de 1910); o «Rally Feminino» a 20 de Julho de 1969, contando com a presença de 14 equipas de senhoras.
O grande passo então, era a inclusão da Volta, no Campeonato Nacional de Automobilismo, o que vem a acontecer pela 1ª vez na 4ª edição, a 20/21 de Julho de 1968. Surgem as primeiras “bombas de então”, onde a coqueluche eram os Renault R8 Gordini, e a primeira dupla continental a vencer a Volta, seria formada por José Lampreia/Silva Carvalho, tripulando presisamente um Gordini. A partir de então, anualmente vai crescendo o número de pilotos continentais a lutarem pelos pontos em S. Miguel, onde a Volta pela selectividade dos seus troços, começa em alguns aspectos, a ter papel decisivo nas classificações finais a nivel nacional. Bastará dizer-se que poucos serão os pilotos que não admirem as celebres tronqueiras, consideradas por muitos, como um dos troços mais selectivos de todo o campeonato nacional.
Uma vez conquistado o mercado nacional, já que as presenças dos pilotos de ponta passou a ser uma constante, o sonho europeu começou a surgir, e o Grupo Desportivo pede a sua filiação na F.I.S.A., passando a partir da sua 8ª edição , a ser a Volta designada por “RALLY INTERNACIONAL DE S. MIGUEL”, e no ano seguinte, surgem algumas “vedetas” de renome mundial, casos de Munari e Paganelli, que por sinal não terminam a prova; os holandeses Pierre Diessen e Bert Dolk. O Rally Internacional de S. Miguel, justificava assim na realidade, o titulo adquirido, embora sem qualquer pontuação para qualquer prova fora de Portugal.

E aqui, talvez começa o grande sonho da Europa a tornar-se mais desejável de se converter em realidade. Duas inspecções são feitas, a primeira por um inspector italiano, cujo nome não recordo, depois em 1984 pelo monegasco Claude Fin, e ainda uma terceira presença do holandês John Corsmit, mas este sem o carácter oficial. Pelos motivos já atráz referidos, a prova foi chumbada, mais pelas tais adversidades com que a nossa insularidade se bate, do que propriamente pela qualidade técnica da prova, por todos unânimemente considerada, como de nivel capaz de atingir o objectivo.
E assim, muito resumidamente como também fiz questão de frizar, ficará uma pálida ideia de como nasceu o Automobilismo no Grupo Desportivo Comercial, bem como uma breve resenha histórica deste Clube. E talvéz com este descolorido trabalho, se possa para já dar resposta a muita pergunta que por vezes é posta, em especial pelos nossos concorrentes visitantes, que se interrogam, porque razão um Clube com tal denominação de “comercial”, se dedica quase e exclusivamente ao automobilismo de competição.
Não diria que foi um erro de percurso, ter a colectividade enveredado por tal modalidade, mas diria quase, e a reforçar, que foi um mal que veio por bem, não ter o futebol, modalidade para que inicialmente foi criado o clube, vingado na altura, pelos motivos já apontados. Se tem acontecido ser aceite o Grupo Desportivo Comercial, como mais um Clube vocacionado para o dito Desporto-Rei, com todo o respeito que este nos merece, possivelmente seria hoje mais uma agremiação desportiva a «vegetar» no sub-mundo daquela modalidade, que entre nós cada vez mais vai perdendo a sua realeza, salvo as excepções que confirmam a regra. Assim, é sem dúvida uma das mais prestigiadas colectividades nacionais que se dedicam ao automobilismo de competição, podendo de tal facto se orgulharem quantos, ao longo destas três décadas, têm lutado pelo bom nome do Comercial, em especial as gerações que de alma e coração se dedicaram ao automobilismo.
A história grande de um pequeno Clube, foi escrita por muitos. Uns lutaram mais do que outros, alguns se salientaram, outros ficaram no esquecimento. Houve bons e maus momentos, mas ao fim e ao cabo, triunfou o desporto automóvel em S. Miguel e nos Açores, e só por isso, são devidas honras e o maior respeito, a quantos o tornaram possivel. Escrevi atrás que tentaria no minimo individualizar pessoas.
E isto porque em consciência, sei que sempre que se enaltece alguns, se esquecem muitos mais. Ficaria mai com a minha consciência se, embora involuntáriamente, pudesse ao mencionar alguns dos grandes vultos destas três décadas, penalizasse outros que mereceriam por certo igual distinção. Sim, porque ao longo destes trinta anos, passaram pelo Grupo Desportivo Comercial, tantas dedicações, apareceram tantos colaboradores, surgiram de dentro e de fora tantos amigos, que só um dia que a completa história do Clube fôr feita, no tempo e no espaço necessários, poderão receber a justa consagração. Nas circunstâncias já referidas em que este apontamento foi feito, tal tornava-se impossivel, isto pelo minimo de coerência e honestidade para comigo próprio.
Resolvi então, bem ou mal, corporizar toda a homenagem que se possa e deva prestar a esta “grande legião” de dedicações ao Comercial, em três personalidades, que me parecem representar outros tantos sectores de capital importância na vida do Clube.
Homenagearei, todos quantos ao longo deste quarto de século de Volta, e mais alguns de existência, dirigiram a colectividade, no campo puramente directivo, e fálo-ei na pessoa do seu actual Presidente da Direcção, Artur Maria Tavares. E isto porque sendo um dos praticamente “fundadores” foi até hoje o segundo e unico Presidente que o Clube tem conhecido, portanto, vejo nele a ligação do passado com o presente, em procura do futuro. Julgo que ele corporiza bem esta escola de dirigentes, uns mais dedicados do que outros, mas todos com vontade de fazerem algo pelo Comercial.A parte desportiva, sem dúvida o “grande pulmão”, onde o automobilismo foi e tem sido ao fim e ao cabo, o veículo de projecção dentro e fora da Região, seria a mais dificil de prestar justa homenagem, pois tantas e tão válidas têm sido as colaborações em todos os sentidos, que julgo e em minha opinião, que ninguém melhor do que António d’Aguiar Machado, mereceria a honra de encabeçar esta homenagem simbólica. Factos que não interessam aqui focar, motivaram que neste momento ele se encontre por fora da colectividade, mas a sua longa carreira que também ultrapassou o quarto de século, conferem-lhe por direito próprio, um lugar ímpar na história do Comercial e do automobilismo.
A sua saída deixou um lugar que tem sido colmatado pela “nova geração” que sem dúvida é a garantia do futuro, que poderá ser a homenagem também aos vindouros, atravez daqueles que também de alguma forma chegam do passado, quer como concorrentes que tão dignamente representam, quer agora como responsaveis técnicos. Referimo-nos a, Carlos Decq Mota e Mário Riley, os continuadores para já da obra desta grande legião de vultos, que ao longo dos tempos tornaram possiveis todos os êxitos alcançados desportivamente, pelo Grupo Desportivo Comercial.
Finalmente, outra grande vertente que ao longo desta existencia do Comercial, tem sido de capital importância para a divulgação da prova fora de portas, e para a projecção que ela tem tido no contexto nacional e mesmo além fronteiras. E em minha opinião, ninguem melhor que Alfredo César Torres poderá corporizar esta onda de simpatia e carinho, que do exterior tem atingido a Volta. Primeiro como concorrente, depois como responsável máximo pelo automobilismo nacional, César Torres tem sido acima de tudo o amigo nas horas certas e o conselheiro quando é preciso.
Será esta a melhor forma de sem involuntariamente deixar alguem no esquecimento, que atravez de três personalidades, se presta homenagem a quantos (e muitos foram) fizeram a grande história deste pequeno Clube.
E a concluir este trabalho, despretencioso, apenas com o intuito de marcar embora de forma aligeirada a efeméride que agora se comemora, citarei de novo Victor Hugo, “Vivem só os que lutam”.
E como pelo esboço de história apresentado, poderão ficar com a ideia mais verdadeira, do que foi o Grupo Desportivo Comercial ao longo destes 30 anos, vinte e cinco dos quais dedicados à Volta à Ilha de S. Miguel, hoje o seu Rally Internacional.
Ontem como hoje, as rosas tiveram espinhos, os caminhos foram sinuosos. Mas houve sempre a vontade férrea de ultrapassar as dificuldades, predicado que hoje continua a animar os responsáveis pelo Comercial.
E que por certo continuarão a animar nos anos que se vão seguir, onde a meta será a Europa a corpo inteiro, e com pleno direito.
Uma Europa para ficar.

Grupo Desportivo Comercial a caminho das Bodas de Ouro

O Grupo Desportivo Comercial, pioneiro e baluarte do automobilismo de competição nos Açores, tem entre mãos e como objectivos mais próximos, dois importantes temas: a luta pela segunda realização entre nós duma prova de projecção mundial, o IRC- International Rally Challanger, cujo êxito na estreia foi por demais conhecido, e que se aguarda para o próximo mês de Julho, e em simultâneo o assinalar das Bodas de Ouro da primeira prova então realizada nesta Ilha, o “ Rally de Iniciação”, que teve lugar a 12 de Junho de 1960, sendo vencedora a equipa José Borges Soares Medeiros/Roberto Domingues Pacheco, tripulando um Peugeot 403. Seria esta prova a feliz culpada do automobilismo ter entrado no Comercial, nascido para ser mais um grupo onde o futebol era o principal objectivo, mas que por motivos e dificuldades várias, assim não aconteceu. O destino escreveu certo por linhas tortas. E convém recordar os mais antigos e informar os mais novos, que o Grupo Desportivo Comercial, tem como data oficial de fundação, o 30 de Maio de 1961, altura em que, perante a Comissão Instaladora formada pelos Dr. Carlos Rocha Silva Rebelo, Virgílio Augusto de Sousa, António Paulino de Medeiros e Artur Maria Tavares, tomaram posse os primeiros directores oficiais do Clube, eleitos em Assembleia-geral Ordinária a 29 de Abril do mesmo ano, e aprovada pelo Despacho do Diário do Governo nº 118-3ª Série de 18 de Maio de 1961, ficando a presidir respectivamente à oAssembleia-geral, Direcção e Conselho Fiscal, os Dr. Carlos Silva Rebelo, José de Freitas Alves Jnr. E Eng. Frederico Paulo Matias Tavares, todos já partidos desta vida.
Daqui se concluir que a oficialização do Grupo Desportivo Comercial, seja posterior à realização da prova de iniciação, e será bom também recordar como se deu esta feliz empatia. A vinda para S. Miguel do então ilustre Tenente da Armada , Filipe Mendes Quinto deu origem a que, pelo enorme gosto que mantinha pelo automobilismo, formasse um pequeno grupo de interessados, dos quais recordamos António Aguiar Machado, Albano Neto Viveiros, Dinis Faria e Maia, Leo Weitzenbaur, e Tenente da Armada Manuel Arsénio Pacheco Medeiros, que com muito entusiasmo e dedicação, juntaram 40 equipas , algumas delas integrando varias senhoras, sendo o resultado de tal forma surpreendente, que o secretário-geral do novel Clube, António Luís de Medeiros, convidaria aquele grupo de pioneiros, a  lançarem a modalidade com o apoio do Comercial. Assim se começaria a escrever toda a história duma colectividade e duma modalidade, para a qual o futuro reservaria uma agradável surpresa de vir a atingir altos patamares a nível mundial. Começou por subir a pulso os diversos degraus da escada do sucesso, primeiro a nível regional, insular e nacional. Ganhou a dimensão de ser uma das melhores provas do país, e posteriormente recebeu o título de internacional. A fama da sua qualidade, a partir das excelentes performances técnicas e directivas, fizeram jus a que se chegasse aos dias de hoje, e passado quase meio século, tenha conseguido o apogeu duma caminhada, que estava longe dos horizontes a que se propuseram os seus fundadores.
Hoje como ontem, muitos foram os obstáculos colocados pelo caminho, quer no campo financeiro como no desportivo. De todos se saíram a contente a enorme legião de obreiros que passaram pelo Grupo Desportivo Comercial, e cada um na sua época, ajudou a levar a colectividade para o lugar que ocupa. Todos sabemos que os tempo já cada vez mais difíceis, e pode haver quem ache que há coisas mais importantes a atender, do que uma modalidade ainda hoje tida por alguns, como “brinquedo de meninos ricos”. A realidade é bem diferente, e basta ver que o impacto que o ultimo IRC teve e nível mundial, é o espelho da tal caminhada feita ao longo deste meio século. Como disse Victor Hugo, “vivem só os que lutam “.
E as várias gerações que passaram pelo Grupo Desportivo Comercial tiveram uma herança de vitória, que importa e é preciso continuar. Mesmo com alguns furos pelo caminho.

João de Brito Zeferino

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